segunda-feira, 12 de março de 2012

Saudades de Mirò _ para alegrar os blogueiros

De Juan Mirò, encontrada através do Google, no blob Juan Miro arts
Título da obra:
A fazenda

sábado, 10 de março de 2012

Prisão

A caminho do Pacaembu, um espaço outro a arrebata _ cidade arcos praia mar,  mundo terracota. É Lages, conta alguém. À beira mar o sentimento, Por favor, quero voltar, Vá ao metrô, lhe dizem, Em Lages o metrô é um barco, e atravessa a Gruta Azul, Como chego? Pela quebrada da rua, e uma mão aponta, enquanto o mar terracora murmura _ Por que criou Lages? Sabe? Existimos porque você acredita. Semicerra os olhos para olhar ao longe, e o horizonte falta. Ou se oculta.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Poema de Maria de Jesus Fortuna _ "Outono, outro tempo"

Querida amiga, lembrei-me da poesia que escrevi em 2002 saudando o outono...



Outono, novo tempo!

Maria J Fortuna




Sâo esses dias de encantamento
que dormem sob minha pele
Eu os vejo como brilhantes
enfeitando meu outono
Debulhando o trigo louro
de novas expectativas...

Que privilegio ver o por de sol
e a aurora ao mesmo tempo
Nesta linda estação dourada
onde, ainda nos cachos,
as uvas guardam seu vinho maduro!

E a beleza é tão surreal
quanto o afago das luvas do sonho
Cavalgo livre de rédeas
sobre as minhas inseguranças
E ofereço vida a vida

quinta-feira, 8 de março de 2012

Sentir outono

na varanda tomando café após almoçar percebeu, o tempo mudou; as chuvas de março calaram as cigarras e o verão; não foi só a brisa e o céu azul, uma coisa em seu peito, leveza amorosa, memória sem forma e sem palavras. Falou para si em meio ao sorriso, Adoro o outono.

Homenagem a Franco Basaglia

“Sou como o menestrel medieval que percorre as aldeias e vai embora.
É necessário que quando eu partir, o palco não fique vazio.”
Franco Basaglia, 1982.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Ainda dialogando com Arnaldo Jabor





Na crônica “A mulher não existe” Jabor diz que o gay masculino é veado, mas a mulher é lésbica. O primeiro nome foi cunhado pelos machistas, se tomarmos Deleuze e Guattari, o machista , parte da forma-homem, o devir homem ocidental, o mais pesado que poderia haver, o que faz as guerras, e coloniza. Este é devir maior. Enquanto, para os mesmos autores, há o devir mulher, devir menor.
O termo para a mulher vem de Lesbos, a ilha mítica grega. Mas homens e mulheres estão na mitologia grega, um universos de deuses e deusas, os humanos mortais, os centauros, sátiros e faunos, entre outros.
A forma da família nuclear homem, mulher, filhos se permanece como uma forma de família, não possui hegemonia, felizmente, e a família vem mudando de muitas maneiras: casais de separam e constituem novos pares, e os filhos têm então, uma grande família, no melhor dos casos, nos novos lares entre as novas uniões de seus pais e mães.
E agora temos as famílias dos casais gays homens ou mulheres. Alguns adotam crianças, outros preferem ter filhos gerados, e um membro do casal seria o doador do esperma, no caso do par masculino, e no feminino, uma das mulheres é elegida pelo casal enquanto a mãe biológica. Há um filme que trata de um casal de mulheres e seus filhos, que vão em busca do pai, que no filme, é o pai dos filhos do casal de lésbicas.
O nome do amor entre homens também poderia vir dos antigos gregos, entre os quais, efebos tinham seu mentor, sendo natural na cultura um jovem ser iniciado amorosamente por um homem mais velho.
Este pequeno texto é uma ratificação ao termo veado que usei brincando com Jabor, que me parece sempre pejorativo, e não o uso. Jabor o usou para falar do diferente tratamento entre homens e mulheres gays. Viva as diferenças e a desconstrução das formas hegemônicas, tão pesadas e carregadas de sofrimento por cada um de nós.

terça-feira, 6 de março de 2012

Para Arnaldo Jabor, na crônica: A mulher não existe


Jabor,

Gosto de crônicas enquanto gênero literário. Aprecio cronistas, e me admiro dos que escrevem semanalmente, para mim, tarefa da ordem do impossível. E cronistas escrevem. Como a mulher, o/a cronista não existe, mas os cronistas; e cada qual tem seu dia. Concordo com você em gênero número e grau, a mulher não existe, felizmente, existem mulheres. E sou entre as mulheres.

Também acredito que não existe o homem, mas homens. Infelizmente o homem teima em existir, e isto faz a vida dele mais sem graça. Muitas vezes, um inferno. Colocaria você no território feminino, não como veado, como um entre os homens femininos. Poucos e bem vindos. É um elogio.

Adorei a crônica, me senti compreendida. O homem tal como se faz pregar é a forma homem branco, o devir homem de Fèlix Guattari e Gilles Deleuse. Os dois filósofos parceiros consideravam o devir mulher muito mais interessante; este seria devir menor. Estou com os dois, que se pretendiam devir menor; não sei se conseguiram em suas vidas pessoais, mas sinto uma profunda gradidão por suas contribuições.

Persigo o devir menor, estar na vida sem garantias. E gosto de ser entre as mulheres. realmente, a mulher não existe, só no plural.


Um grande abraço feliz,



Eliane Accioly



NB: um convite, clica em meus blogs, (os endereços estão no corpo do e.mail) se tiver tempo, neste seu mundo ocupado.