sábado, 23 de abril de 2011

CORREDORES




Tem dia me sinto em filme feito de imagens e silêncio, cor pastel como as do cerrado. A sobra do bacalhau da sexta feira da paixão rendeu um espagueti para nós dois. Abrimos um vinho tinto. A madeira da mesa a louça antiga semi desbotada minha saia florida sua bermuda azul. E nos corredores da vida não corremos demoramos e restamos luz de interiores. Vivemos, só isto. É tão intenso que me sinto num filme, imagem tempo. O almoço acaba a vida continua.



sexta-feira, 15 de abril de 2011

PARA JAIME _ de ARTEBAIÃO


Quando a vida me perpassa
memórias do amanhã
sou rio
horizonte
sou  um triz

E às vezes nem há eu
há imagens cor de rosa e sépia

sábado, 9 de abril de 2011

Escrever, um laboratório




Escrevo e reescrevo
e em cada reescrita
um outro texto.

Talvez uma crônica



Etimologicamente a palavra testemunha significa a presença de alguém em corpo e alma, em algum lugar e com alguém na duração de um acontecimento. Testemunhar se faz com os sentidos sentimentos sensações. Testemunhar é perceber e tomar consciência do que se vive ou viveu, do que acontece ou aconteceu.


Escrever é risco, deixar pegadas, pois, para encontrar sentido no ato de escrever escrevemos para o outro. Vivemos paradoxos, porque mesmo escrevendo ficção, nas entrelinhas oferecemos depoimentos e testemunhos: um olhar.
Por outro lado, se escrever é oferecer memória, e se esta é da ordem da ficção, o escritor é feito de paradoxos, pois, enquanto  ser humano, ele é da ordem da ficção.
Testemunhas um do outro, o escritor e o leitor.











REFLEXÕES


POR QUE ANDAMOS NÚS?
PORQUE NÃO SABEMOS
QUE SOMOS NÚS

COM A LÃ DO NOVELO
TEÇO MEUS PÉS
O CHÃO
E  A DOR DE COTOVELO

quinta-feira, 7 de abril de 2011

A COLECIONADORA DE LAGARTAS


a menina alimenta
 os bichos tecem
casulos dormem

em certos dias
borboletas voam
no céu do quarto

terça-feira, 5 de abril de 2011

MEMÓRIA


Descubro as coisas quando as vivo e as experimento.
Descubro de uma maneira vivida que nós somos nossa memória, lembranças, resgistros.
Nossa memória passa pelo coletivo, mas caminha para o que cada um de nós vive em sua vida.
Ou seja, os acontecimentos e processos que perpassam nossas vidas, desde que conseguimos nos lembrar.
Alguns precocemente, outros bem mais tarde.
Precisamos de nossa memória para ter uma coerência e linha de continuidade em nossa vida.
Apenas para contar o que descobri.
O ovo de Colombo.